João Nunes Saraiva


Nascimento: Segunda metade do século XVI, Trancoso (Bahia)

Falecimento: Desconhecido

Mercador, asentista.

Link para BRASILHIS Database: https://brasilhis.usal.es/es/personaje/joao-juan-nunes-saraiva-nunez-saravia


Comerciante cristão-novo de origem portuguesa. Ele conduziu os seus negócios em várias áreas da Monarquia Hispânica, como o Brasil, Castela e Ásia, e a prosperidade das suas empresas tornou-o um dos principais financiadores da Coroa de Castela entre 1626 e 1632.

João Nunes Saraiva, também conhecido como Juan Núñez Saraiva, nasceu em Trancoso (actual estado da Bahia) durante a segunda metade do século XVI. Era filho de Antonio Rodrigues Ferrerin e irmão do mercador Henrique Nunes Saraiva, que operava a partir de Bordeux. Entrou ao serviço do seu tio, João Nunes Correia em 1603, “coincidiendo con el arriendo de las rentas de la Avería y con el proceso que el tribunal del Santo Oficio de Toledo instruyó a su hermano Gabriel […] destinó [al mencionado João Nunes Saraiva] como su representante en Sanlúcar de Barrameda” (Carrasco, 2002: 370). Saraiva instalou-se em Sevilha em 1605, e acabaria por se tornar o sucessor de João Nunes Correia à frente da família e do seu negócio.

Antes disso, ele tinha sido comerciante, desde 1597, de pau-brasil. Uma vez estabelecido em Castela, desenvolveu o seu negócio com o Brasil, mas também com Rouen e outros mercados no Norte da Europa, tais como Bordeux, Amsterdão e Hamburgo. Realizou também múltiplas operações com a Ásia, muitas delas através dos contatos herdados do seu tio. 

Devido à prosperidade do seu negócio, foi consultado em várias ocasiões sobre questões financeiras pela Coroa de Castela. Em 1625 escreveu um memorial a Filipe IV sobre a delicada situação financeira da monarquia após a redução do crédito genovês, a apreensão da Bahia pelos holandeses, e os cercos em Breda e Génova. Como resultado deste memorial e de suas conversas com o Conde-Duque de Olivares, teve lugar o Perdão Geral de 1627, bem como um acordo assinado em 1628 e subscrito pelo próprio Saraiva, Nuno Días Mendes de Brito, Lourenço e Simão Pereira, e Pais Rodrigues (Almeida, 2009: 626). 

Assim, entre 1626 e 1632, João Nunes Saraiva tornou-se um importante assentista da Coroa de Castela, com uma fortuna avaliada em mais de 500.000 cruzados. Em 1627, após o Conde-Duque de Olivares ter anunciado a sua falência, substituiu os financiadores genoveses por um grupo de congéneres portugueses. Entre eles estava o próprio Saraiva, mas também outras figuras comerciais importantes como Manuel Rodrigues d’Elvas, Nuno Días Mendes de Brito, Duarte Fernandes, Manuel da Paz, ou Simón Suarez (Hutz, 2014:78). 

A este consórcio original juntaram-se outros homens de negócios nos anos seguintes: Simão e Lourenço Pereira e Duarte Dias Henriques, em 1627; Marcos Fernandes Monsanto, Garcia d’Ilhão e Pedro de Baeça da Silveira, em 1629 (Boyajian, 1983:24).

Juntamente com Nuno Dias Mendes de Brito, Duarte Fernandes, Manuel da Paz, Simão Soares, Manuel Rodrigues de Elvas e João Rodrigues Ferrerin, atribuiu lugares no valor de quatrocentos mil ducados, todos a pagar em Flandres. Estes lugares tinham como pagadores Fernão Lopes Saraiva e Bento Rodrigues de Lisboa. Era também parente de outros grandes empresários do início do século XVII, tais como Bartolomeu Febo e Lopo Ramires (Almeida, 2009:625).

Infelizmente, em 1632 João Nunes Saraiva foi encarcerado pela Inquisição. Ele foi seguido pelo seu irmão Henriques, que tinha vindo de Bordeux em seu auxílio. No entanto, os testemunhos favoráveis de outros empresários, como Duarte Fernandes ou Manuel da Paz, permitiram que ambos os irmãos fossem libertados após o Auto de fé de 1637, sendo declarados penitentes e tendo de pagar uma multa de vinte mil ducados. Como consequência do seu tempo na prisão, Nunes Saraiva viu a sua posição econômica muito enfraquecida, endividou-se até trezentos mil ducados, e finalmente perdeu a sua posição como asentista. (Ricardo, 2006:112)


BIBLIOGRAFIA

Almeida, A.A. (dir.) (2009). Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses. Mercadores e Gente de Trato. Lisboa: Campo da Comunicação.

Boyajian, J.C. (1983) Portuguese Bankers at the Court of Spain, 1626-1650. New Brunswick, NJ: Rutgers University Press.

Carrasco Vázquez, J. (2002). Comercio y finanzas de una familia sefardita portuguesa: Los Núñez Correa. En Contreras, J.; García García, B.J.; Pulido, I. (eds.). Familia, religión y negocio: El sefardismo en las relaciones entre el mundo ibérico y los Países Bajos en la Edad Moderna. Madrid: Fundación Carlos de Amberes y Ministerio de Asuntos Exteriores.

Ricardo, S. (2006). As Redes Mercantis no final do Século XVI e a figura do Mercador João Nunes Correia (Tesis de Máster). Universidade de São Paulo, São Paulo.

Hutz, A. (2014). Homens de Nação e de Negócio. Redes comerciais no mundo ibérico (1580-1640) (Tesis de Doctorado). Universidade de São Paulo, São Paulo.

Autor:

Pablo Cañón (European University Institute)

Como citar este verbete:

Pablo Cañón García. “João Nunes Saraiva“. Em: BRASILHIS Dictionary: Dicionário Biográfico e Temático do Brasil na Monarquia Hispânica (1580-1640). Disponível em: https://brasilhisdictionary.usal.es/pt/joao-nunes-saraiva-2/. Data de aceso: 13/04/2024.

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