Salvador Correa de Sá, o velho

Helena Trindade de Sá, Universidade Federal do Estado de Rio de Janeiro

Nascimento: 1547, Barcelos

Falecimento: 1631, Lisboa

Governador da capitania do Rio de Janeiro em duas etapas, de 1568 a 1571 e de 1577 a 1598. Mais tarde, ele foi nomeado governador da capitania de Pernambuco, entre 1601 e 1602.

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Quando Mém de Sá deixou o Rio de Janeiro para retornar à Bahia, após a expulsão dos franceses, designou seu sobrinho Salvador Correa de Sá para a governança da capitania com o objetivo de edificá-la por mandado do rei, estabelecendo ali um povoamento, distribuindo sesmarias e mantendo ainda a terra em paz (Belchior, 1965: 429).

Nascido em 1547, na quinta da família em Pena Boa, próximo a Barcelos, na província de Entre Douro e Minho (Boxer, 1973: 21), era filho de Gonçalo Correa da Costa e sua esposa Filipa de Sá. Tornou-se Cavaleiro do Hábito de São Tiago e fidalgo da Casa Real. Morreu em Lisboa, aos 84 anos, no ano de 1631 (Belchior, 1965:434). Seu primeiro governo na capitania foi exercido de 1568 até 1571. Ocupou novamente o mesmo cargo de 1578 a 1598, de acordo com a provisão de 12 de setembro de 1578, com rendimentos de 100.000 réis anuais, além dos prós e percalços a que tinha direito, gozando de poderes, jurisdição e alçada de que desfrutavam os outros capitães das partes do Brasil (Serrão, 2008: 137).

A posse do cargo seria conferida pelo governador-geral logo que chegasse na cidade de Salvador ou no caso de se aportar direto no Rio de Janeiro, pelos juízes e vereadores locais (Serrão, 2008:p. 138). De acordo com alvará real, a concessão do segundo período de governo foi dada em respeito aos serviços prestados anteriormente e a boa conta durante o tempo em que serviu como capitão e governador da capitania e cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (ANTT, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. Sebastião e D. Henrique, 1577). Paralelamente, de 1580 a 1585 (Godoy, 2002:14), acumulou a função de provedor da Fazenda Real, o que lhe permitiu atuar também como juiz da alfândega.

Concedeu ampla liberdade de comércio no Rio de Janeiro, estimulando a vinda de comerciantes portugueses e espanhóis, a quem oferecia provisões da sua ilha do Gato, conhecida também como Ilha do Governador, como lembrança de boas vindas (Serrão, 2008: 166). Durante sua administração, o Rio de Janeiro se tornou um destacado ponto de comércio com as capitanias do norte, para onde eram vendidos peixes salgados, madeira e óleo para iluminação, assim como para as capitanias de São Vicente e a América platina (Serrão, 2008:p.166).

Estima-se, pelo conteúdo da correspondência do cardeal-infante, vice-rei de Portugal, Alberto de Áustria, dirigida ao rei dom Filipe II, que Salvador Correa de Sá foi o primeiro a abrir o caminho para encetar o comércio com a cidade de Buenos Aires (Helmer,1963: 195), estimulando as transações com os homens de negócio portenhos. Ao longo de sua gestão como governador do Rio, não permaneceu o tempo todo na cidade, uma vez que chefiou muitas expedições ao interior em busca de índios para escravizar e também a procura de ouro e pedras preciosas, presumindo que existissem nas montanhas cobertas pelas matas no sertão (Boxer, 1973: 21).

Quando deixou o cargo de governador, em 1578, exaltou o seu perfil sertanista, pois, juntamente com seus filhos Gonçalo de Sá e Martim de Sá, percorreu os sertões do rio Paraíba, ultrapassando a Serra da Mantiqueira até o rio Verde, marcando dessa forma o itinerários das futuras bandeiras do século XVII (Norton, 1965: 16). De outubro de 1601 a agosto de 1602, ocupou o cargo de capitão-mor de Pernambuco enquanto o governador efetivo Manuel Mascarenhas partiu com suas tropas para combater os índios potiguares no Rio Grande do Norte. Ao término desse período retornou para Lisboa a bordo da nau capitânia de uma frota de aproximadamente 42 navios.


Bibliografia:


Belchior, Elysio de Oliveira (1965). Conquistadores e povoadores do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Brasiliana.


Boxer, C.R (1973). Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola. São Paulo: Editora Nacional; Universidade de São Paulo.


Godoy, José Eduardo Pimentel de (2002). Alfândega do Rio de Janeiro. Brasília: ESAF.


Helmer, Marie (1953). Comércio e contrabando entre a Bahia e Potosí no século XVI. Revista de História. São Paulo, 15.


Norton, Luís (1965). A dinastia dos Sás no Brasil. Lisboa: Agência Geral do Ultramar.


Sá, Helena de Cassia Trindade de (2016). A alfândega do Rio de Janeiro: da União Ibérica ao fim da Restauração (ca. 1580-ca.1668). (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.


Serrão, Joaquim Veríssimo (2008). O Rio de Janeiro no século XVI. Rio de Janeiro: Andréa Jakobsson.

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